terça-feira, 16 de novembro de 2010

A MORTE DO PAPAGAIO

O caseiro da fazenda
Urgente faz ligação
Vai logo dizendo assim
Pro seu querido patrão:
"Seu papagaio morreu
Não brigue comigo, não!"

"O meu louro campeão
Que ganhei recentemente?"
"Ele mesmo, Seu Alberto
Eu lamento o acidente
Foi comer carne estragada
Faleceu tão de repente!"

"O que fez, seu indecente?!
Deu carne pro animal?"
"Não senhor, vou explicar
Ele foi lá no quintal
Ao ver o cavalo morto
Comeu dele, passou mal"

"Mas que cavalo, afinal?"
"O alazão premiado!
Puxando carroça d'água
Ficou bastante cansado
E morreu foi de fadiga
Está lá, estatelado"

"Ai meu Deus, era estimado!
Mas... Água? Por que motivo?"
"Para apagar o incêndio
Quase que não saio vivo
Sua casa pegou fogo
Eu fugi... Foi instintivo"

"Meu patrão, eu não me esquivo
De lhe falar a verdade
A vela caiu no chão
Foi tamanha a claridade
Incendiou a cortina
Que baita calamidade!"

"Mas tem eletricidade...
Pra quê vela, camarada?"
"Do velório, Seu Alberto
Da sua mãezinha amada
Sem aviso, veio aqui
Com bala foi alvejada"

"Eu confundi a coitada
Achei que fosse bandido"
Nessa hora, Seu Alberto
Em prantos, entristecido
Não consegue mais falar
Sabendo do acontecido

O caseiro, ao seu ouvido:
"Não acredito, senhor
Por causa dum papagaio
É tão grande a sua dor?
Se soubesse, nem daria
A notícia da agonia
Do seu bicho de valor..."


* Adaptação de piada

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